domingo, março 9

Berlinde De Bruyckere, Ghent / Bélgica - Escultura

Lichaam (Corpse) 2006
(horse skin, horse hair, epoxy resin, iron)

Innocence Can be Hell series «Jelle Luipaard» 2005
(wax, epoxy resin, metal, wood)

Innocence Can be Hell series «Jelle Luipaard I» 2004
(wax, epoxy resin, wood, iron)
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Innocence Can be Hell series (Jelle Luipaard II) 2004
(wax, epoxy resin, wood, iron)

The Black Horse series «K36» 2003
(foam, horse skin, wood, iron)
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Aanééan (becoming one) series «Untitled» 2003-04
(wax, epoxy resin, wood, iron, blankets)

Aanéén (becoming one) series «Untitled» 2003-04
(wax, epoxy resin, wood, iron, blankets)
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Aanéén (becoming one) series «Untitled» 2003
(wax, epoxy resin, wood, iron)


The Black Horse series «K36»2003 (back view)
(foam, horse skin, wood, iron)

Woman Without Head series «Untitled» 2005
(wax, epoxy resin, iron)

Woman Without Head series «Untitled» 2003
(wax, epoxy resin, iron)
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Covered Women series «Wezen» 2005
(wax, epoxy resin, wood, iron, blanket)

Aanéén-genaaid (Sewn together) series «I» 2000
(wool, wood, wax, iron)

Aanéén-genaaid (Sewn together) series «II» 2000
(wool, wood, wax, iron)

«Speechless Grey Horse» 2004
(polyvinyl, epoxy resin, horse skin, cord)

Schmerzensmann (Man of Suffering) series, 2006
(wax, epoxy resin, iron)
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Schmerzensmann (Man of Suffering) series, 2006
(wax, epoxy resin, iron)

Schmerzensmann (Man of Suffering) series, 2006
(wax, epoxy resin, iron)
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Schmerzensmann (Man of Suffering) series, 2006

(wax, epoxy resin, iron)

«Lost» 2006 (epoxy resin, horse skin, wood, ropes)

*«Kooi (Cage)» 1995
(iron, blankets)
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Covered Women series «V. Eeman» 1999
(wax, polyester, wood, blankets)
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«Deckenhuis (House of Blankets)» 1993
(iron, wood, blankets)
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«Spreken (Speak)» 1999
(blankets, wax, polyester, wood)
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Aanéén-genaaid series «Untitled» 2000
(plaster, wax, polyurethane, blanket)

«Cart with bankets» 2005
(iron structure, blankets)
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Berlinde de Bruyckere nasceu em Ghent, na Bélgica, em 1964, onde vive e trabalha.
Participou com as suas esculturas, na Bienal de Veneza de 2003, no pavilhão italiano, onde obteve reconhecimento internacional. A partir daí, expôs individualmente em Zürich, na galeria Hauser & Wirth, em 2004 e na Fundação para a arte contemporânea De Pont em Tilburg, em 2005. Também em 2005, apresentou a exposição “Eén (One)” na Maison Rouge, Fundação Antoine de Galbert, em Paris. Posteriormente, em 2006 participou na 4ª Bienal de Berlim para a arte contemporânea e na exposição colectiva do centro cultural Kunsthalle em Düsseldorf. Actualmente os seus trabalhos fazem parte de uma exposição colectiva na Galeria Continua / Le Moulin na região de Paris, em Boissy-le-Châtel.
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Crítica:
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Desde o inicio dos anos 90 que Berlinde De Bruyckere tem vindo a trabalhar com cobertores – cobertores de lã, símbolo de agasalho e protecção – como o material utilizado nas suas esculturas e instalações. Eles simbolizam para a artista, não só peças de agasalho e abrigo, como também vulnerabilidade e medo. Medo que faz com que as pessoas se desloquem sob cobertores, e vulnerabilidade ligada a situações de frio, doença, catástrofes naturais e guerra. São estas as imagens que diariamente nos são transmitidas pelos meios de comunicação, provenientes da Somália, do Ruanda ou do Kosovo: imagens resgatadas dos focos de violência que obrigam as populações a fugir, a esconderem-se ou a refugiarem-se do frio. As vítimas são envolvidas em cobertores. O sofrimento está encoberto. No estúdio de De Bruyckere, recortes de jornais com fotografias a lembrar estes cenários coabitam pacificamente com os lembretes do dia-a-dia. Imagens onde a tristeza e a beleza parecem competir ao chamar a nossa atenção.
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Uma das primeiras esculturas da artista com cobertores, consistia numa pilha simples de cobertores dobrados, colocados sobre um precário estrado de madeira. A base de madeira que assenta irregularmente, enfraquece o equilíbrio da pilha de cobertores que foi colocada de uma forma ordenada. Dekenhuis (House of Blankets) de 1993 é uma estrutura de metal que foi coberta por cobertores. Um dos cantos da estrutura permanece descoberto, mas a House of Blankets pretende ser inacessível, unicamente sugerindo a ideia de abrigo. De acordo com Berlinde de Bruyckere, a utilização de cobertores no seu trabalho, significa: “Para mim, um cobertor é um símbolo de segurança. Possui uma alma que normalmente tem uma conotação positiva. Um cobertor aconchega-te; sentes-te como a criança sentada em casa enquanto chove lá fora. Também utilizo o cobertor como um objecto negativo. Podes dar a alguém tanto amor e segurança que o sufoca, em que ele já não se possa encontrar a si próprio. Ficar sob uma pilha de cobertores pode desorientar! Gosto de brincar com essa ambiguidade no meu trabalho.”
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É com a dualidade entre amor e sofrimento, perigo e protecção, vida e morte que, invariavelmente, trata o trabalho de Berlinde De Bruyckere. Na sua exposição de 1995 no Museu Middeheim, intitulada Innocence can be Hell, criou, entre outras coisas, contentores abertos cheios de pilhas de cobertores (Kooi 1995). Alegremente coloridos, mas, ao mesmo tempo, de aparência macabra.: um transporte de emergência de ajuda humanitária, que nunca chegaria ao seu destino. A sensação de impotência produzida por este trabalho, aparece repetida nas várias figuras de mulheres que apresentam os braços e as pernas destapados, mas cujos corpos se encontram escondidos debaixo de cobertores, em posição de repouso. Nesta exposição, ela colocou uma dessas figuras numa árvore, que sentada num ramo agarra o vigoroso tronco. A artista compara o isolamento em que a mulher se encontra ao da criança que se esconde e que pensa: “Se eu não os vejo, eles não podem ver-me a mim”. Relativamente às suas esculturas “Blanket Women”, a artista acrescenta: “A relação entre expor-se e esconder-se é uma relação que ocorre dentro de uma única imagem. Produzi a imagem da mulher envolta em cobertor pela primeira vez durante o período do genocídio no Ruanda em 1993-1994. Mostro a imagem de alguém que no fundo não quer ser visto. Nesse ponto, eu própria estava ocupada com a questão da essência de uma casa. Para mim, este é o lugar onde nos podemos esconder, ficar sozinhos, sermos capazes de pensar. Então, assisti a pessoas a fugir com um único cobertor a protegê-las, a cobri-las. Foi assim que a imagem me surgiu.
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A segurança ameaçada também tem a sua expressão numa instalação com três camas (Untitled) de 1996. Duas camas individuais e uma cama de criança estão sobrecarregadas com uma pilha contendo cem cobertores coloridos. Os cobertores foram perfurados com buracos profundos em vários locais.
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Contribuiu para um projecto de exterior, “Speelhoven 98”, que consistiu na construção de uma carpete com 112.000 begónias, medindo dezoito por vinte e sete metros, e que nos lembra a mortalidade a partir da evolução degenerativa das flores. Este trabalho vem no seguimento de um outro, anterior, intitulado “I Never Promised you a Rose Garden” de 1992, que compreendia um cesto de verga cheio de rosas feitas de chumbo.
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A instalação intitulada “Flanders Fields” em que são mostrados cinco cavalos, dominou as atenções. Berlinde de Bruyckere produziu este trabalho durante o verão de 2000 e apresentou-o no Museu In Flanders Fields em Ieper, na Bélgica. Aqui foram moldados corpos de cavalos que se cobriram com a pele e se modelaram nas poses dramáticas que resultaram das suas mortes agonizantes. Neste trabalho, cavalos possantes retratam desespero e vulnerabilidade como na Guernica de Picasso, onde é mostrada a queda dos seus corpos dilacerados e contorcidos. Em outras exposições, Lustwarande/pleasure garden (Tilburg 2000) e Locus/Focus (Arnhem 2001), a artista apresentou, para choque de muitos visitantes, corpos de cavalos pendurados em árvores.
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Os temas da mortalidade e da dualidade entre vida e morte, estão presentes na colecção De Pont: Het har uitgerukt (The heart torn out) é o título de um trabalho em série de desenhos de 1997-1998, que retratam a morbidez de rostos fixados em nós com um olhar vazio. Na escultura Asnéén-genaaid I (Sewn together I) 2000, o torso é formado por cobertores cozidos uns aos outros, enquanto as penas nuas parecem conceder ao conjunto um mínimo de estabilidade. No trabalho em série dos desenhos com o mesmo título, são mostradas formas humanas que se fundiram entre si.
De Pont museum of contemporary art, Tilburg, Holanda
(traduzido por Fernanda Valente)
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De Pont museum of contemporary art, english version
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1 comentário:

Kislansky disse...

sOU ESCULTOR BRASILIRO E ME CHAM ISRAEL KISLANSKY. GOSTEI DAS IMAGENS E DA CAPACIDADE DE MODELAGEM. SÃO FEITAS A PARTIR DE MOLDES OU SÃO MODELADAS PELO ARTISTA? TAMBEM TENHO UM BLOG
kislansky.blogspot.com