sábado, abril 12

Pedro Calapez, Lisboa / Portugal - pintor contemporâneo

«Neve de Espinhos» 2005
Capela de Nª Srª das Neves, Biblioteca Municipal de Ílhavo
Installation view
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«Neve de Espinhos» (pormenor)

Stylt series «Abstract Landscape» 2003
(conj. 44 aguarelas sobre papel)

Stylt series «Abstract Landscape 19» 2003
(aguarela sobre papel)

Stylt series «Abstract Landscape 21» 2003
(aguarela sobre papel)

Campo series «Untitled 06» 2001
(aguarela sobre contraplacado)

Campo series «Untitled 08» 2001
(aguarela sobre contraplacado)

«Porta de Cristo» 2007, bronze
Igreja da Santíssima Trindade, Fátima
Installation view
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Mistérios do Rosário series
«Mistério Gozoso - O nascimento de Jesus em Belém» 2007
(painel em bronze)


Mistérios do Rosário series
«Mistério Luminoso - Transformação da água em vinho» 2007
(painel em bronze)

Mistérios do Rosário series
«Mistério Doloroso - A flagelação de Jesus» 2007
(painel em bronze)

Mistérios do Rosário series
«Mistério Glorioso - A ascensão de Jesus no céu» 2007
(painel em bronze)

Mistérios do Rosário series
«Mistério Glorioso - A descida do Espírito Santo sobre Nª Srªa e os Apóstolos» 2007
(painel em bronze)


«Quarto Interior 01» 1994
(alkyd sobre tela)

«Quarto Interior 02» 1994
(alkyd sobre tela)
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«Um dia na vida de B» 2004
(pastel de óleo sobre papel)
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«Um dia na vida de AB» série vermelho/negro, 2004
Prémio Nacional de Arte Gráfico, Madrid 2006
(gravura a águaforte e águas-tintas sobre papel Acid free de 300 g)

«Um dia na vida de AB» série vermelho/azul, 2004
Prémio Nacional de Arte Gráfico, Madrid 2006
(gravura a águaforte e águas-tintas sobre papel Acid free de 300 g)

«Muro contra muro» 1994
Centro de Arte de Burgos
Installation view 2005
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«Passagem 10» 2004
(acrílico sobre alumínio)

«Untitled 09» 2007
(alkyd sobre cartão museu)

«Fumos Verdes» 2006
(acrílico sobre alumínio)
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«Lugar da subtil diferença» 2003
(acrílico sobre alumínio)

«Lugar do deleite» 2003
(acrílico sobre alumínio)

«RAM 04» 2001
(acrílico sobre alumínio)

«Ground 02» 2005
(conj. 43 peças de alumínio pintadas a tinta acrílica)
Mario Mauroner Contemporary Art, Viena Salzburg
Installation view

«Untitled 06» 2007
(alkyd sobre cartão museu)

«Passagens» 1990
(giz sobre tijolo maciço)
Convento de São Francisco, Beja
Installation view
* «Projecto de jardim 01» 1999
(acrílico sobre DM)

«Ornamento escondido» 2002
(conj. 24 painéis de alumínio pintados)
Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa
Installation view


«Ornamento escondido» 2002

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Pedro Calapez nasceu em Lisboa no ano de 1953.
Estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e afirmou-se como pintor na primeira metade da década de 80, em exposições como Depois do Modernismo e Arquipélago. Mantendo-se à margem da voragem situacionista e da expressividade escatológica que marcaram o então chamado “regresso à pintura”, Calapez empreendeu um percurso pautado pelo rigor metodológico no qual o desenho é a prática fundadora. Produzindo pinturas por incisão, próximas da tradição da gravura, o autor interessa-se sobretudo pelo tratamento pictórico/arquitectónico do espaço. A arquitectura é uma das referências organizadoras da obra de Calapez, mas esta arquitectura, riscada à superfície do suporte, apresenta caminhos, fachadas, ou pontos de fuga que se contradizem, criando paisagens inverosímeis. Uma arquitectura que remete para a cenografia, ao funcionar como um empilhar de fragmentos cuja aparência teatral insinua um espaço de representação. Calapez engloba na lógica cenográfica não apenas as referências arquitectónicas mas conjuntos de objectos que poderiam servir como adereços ou objectos de cena. Mas esta é uma cenografia residual, abandonada pelos actores, a narrativa e o drama que algum dia a terão habitado.
Ao longo da última década a vocação arquitectónica materializou-se numa obra como Muro contra Muro (1994) em que os painéis pintados são instalados na galeria sob a forma de corredores que determinam, de modo directo, o percurso e as condições de visibilidade para o observador. O mesmo tipo de efeito de controlo do olhar revela-se numa série de objectos recentes: cubos abertos, sem face superior, com as paredes interiores pintadas que surgem como “caixas de pintura” que aprisionam o espaço do visível.
No mesmo período desenvolve-se uma nova linha de trabalho do artista. A apetência pelas texturas e pela criação de paisagens manifesta-se agora através da prática cada vez mais desenvolta de uma pintura abstracta que se deleita nos prazeres do exercício de aplicação das tintas e da gestão dos jogos de cores. Muitas vezes estas pinturas tomam a forma de painéis que reunindo múltiplos elementos de modo a ocupar o espaço de uma parede instauram, uma vez mais, um diálogo privilegiado com o espaço e a luz que as acolhe.
Alexandre Melo, sociólogo e crítico de arte
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in «Arte e Artistas em Portugal» Maio 2007
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Nota: A biografia do autor, assim como os vídeos de duas exposições, poderão ser consultados no sítio oficial de Pedro Calapez.
Actualmente, as suas obras encontram-se expostas no Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE), integrando a "Colecção António Cachola".
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Crítica:
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El retablo del deseo de Pedro Calapez
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Desde hace casi una década, Pedro Calapez (Lisboa, 1953) ha conocido en nuestro país un éxito notable, confirmado por algunos premios y por las exposiciones que le han dedicado el MEIAC de Badajoz (Ecos de la materia, 1996) y la Fundación Miró de Mallorca (Campo de Sombras, 1997). Las composiciones de Calapez, integradas por pequeños “cuadros” de colores intensos, organizados en hileras contrastadas y rítmicas, poseen un encanto casi musical. Alguien podría interpretarlas como “instalaciones” de pintura, en el sentido por ejemplo de los surrogates de Allan McCollum, cuyos elementos se agrupan en número y distribución variable dependiendo del espacio de cada exposición. Pero no son nada de eso. No se trata de meros agregados, sino de composiciones coherentes. Como explica el propio Calapez, los orígenes más remotos de su formación plástica están ligados al espíritu de la Bauhaus y su planteamiento del proceso creativo es rigurosamente constructivo: el artista realiza primero un boceto del conjunto y luego pinta cada uno de los elementos que la integrarán. En todas las composiciones, incluso cuando tienen un contorno irregular o una estructura aparentemente aleatoria, descubrimos paralelismos, inversiones, simetrías latentes y secretas entre las hiladas de “ladrillos” de diversos formatos, volúmenes y colores.
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La obra de Calapez se entronca con el interés por el políptico, por la composición articulada en varios elementos separados, que recorre la tradición de la pintura sistemática del siglo XX. Desde el Rojo-Amarillo-Azul de Rodchenko o los trípticos de Theo van Doesburg hasta la proliferación de polípticos en torno al minimalismo, en la obra de Ellsworth Kelly, Frank Stella, Robert Ryman, Brice Marden, Robert Mangold, Alan Charlton o Jo Baer. Lo que añade Calapez a esta tradición es una mayor intensidad pictórica, una mayor riqueza de acontecimientos en el interior de cada uno de los “cuadros” que forman sus composiciones. Algunos de estos “cuadros” presentan un dibujo esquemático esgrafiado sobre una capa de pintura monocroma (que procede de los dibujos en blanco y negro que Calapez realizaba a comienzos de los noventa). Otros elementos, la mayoría, combinan varios colores en una composición abstracta cuya factura recuerda a veces a Gerhard Richter y a veces a Howard Hodgkin. Calapez extiende con la espátula, sobre una capa de pintura todavía húmeda, otra capa de un color en furioso contraste con ella, de forma que se mezcle un poco con lo de abajo, pero sólo un poco.
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Como sugieren los títulos (Lugar dos pequenos lugares, Lugar de la sutil diferencia, Lugar dos dois caminhos, Lugar do deleite, Lugar da ilusao) las composiciones de Calapez evocan paisajes: senderos, bosques, montañas, jardines, escenarios arquitectónicos recompuestos a través de un puñado de fragmentos. Ninguno de estos fragmentos llega a ser un foco fijo de nuestra atención, ninguno de ellos retiene mucho tiempo la mirada, que vaga de uno en otro sin detenerse apenas. Calapez compara esa errancia con el modo en que, al pasear por las calles de una ciudad, nuestros ojos saltan de una cornisa a una torre, de un balcón a una puerta, de una esquina a otra. O con nuestra manera de recordar un gran cuadro que hemos visto en un museo, como una sucesión de detalles vívidos pero difíciles de encajar entre sí. En todo caso, los retablos de Calapez, sus rompecabezas imperfectos, nos hablan del afán de reconstruir una totalidad perdida, presente sólo en la memoria o en el deseo, a partir de sus ruinas.
Guillermo Solana, El Mundo
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Faire vivre de manière permanente une œuvre contemporaine dans un grand bâtiment historique est délicat, et souvent peu réussi. Un des rares chefs d’œuvre de ce type que je connaisse, ce sont les vitraux de Pierre Soulages à Conques, sur le chemin de Saint-Jacques. Le Monastère des Hiéronymites, à Belém, est un lieu mythique de l’histoire du Portugal.
Dans l’escalier du cloître, Pedro Calapez a installé cette œuvre au premier abord peu lisible : 24 panneaux d’aluminium disjoints, de deux tailles différentes (80×130 et 130×130) et deux épaisseurs (6 et 10 cm), d’où un effet de construction en moellons et de profondeur, sur un ensemble de plus de 25 mètres carrés. Trois jeux de couleur, un fond jaune, puis un dessin orangé, et, en surface, des traits rouge sombre. Quand l’œil s’habitue, on reconnaît dans le dessin orangé l’architecture du monastère, des arches, des marches, des sculptures ; les veines rouges qui irriguent le tableau peuvent évoquer une végétation luxuriante ou Cy Twombly. L’œuvre s’appelle Ornement non divulgué, elle porte en elle une dimension religieuse, historique très forte et s’harmonise parfaitement avec ce lieu, en le transcendant.
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Pedro Calapez was born in Lisbon, where he lives and works. He began his studies in civil engineering but then transferred to the Escola de Belas Artes (School of Fine Arts) after having attended the Fine Arts Course at the Sociedade Nacional de Belas Artes (National Association of Fine Arts). While attending Belas Artes he worked as a professional photogropher until 1985, when he was able to dedicate himself exclusively to painting.
He began taking part in exhibitions in the seventies and in 1982 had his first individual exhibition. He has exhibited his work individually in various galleries and museums, most notably Histórias de objectos, Casa de la Cittá, Roma, Carré des Arts, Paris and Fundação Calouste.Gulbenkian, Lisboa (1991); Petit jardin et paysage [instalação], Capela Salpêtriére, Paris (1993); Memória involuntária, Museu do Chiado, Lisboa (1996); Campo de Sombras, Fundació Pilar i Joan Miró, Mallorca (1997); Studiolo, INTERVAL-Raum fur Kunst & Kultur, Witten, Germany (1998) ; Madre Agua, Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz and Centro Andaluz de Arte Contemporáneo (2002); Selected works 1992-2004, Fundação Calouste.Gulbenkian, Lisboa (2004); piso zero, CGAC- Centro Galego de Arte Contemporáneo (2005).
Most oustanding among the various collective exhibitions in which he has taken part are the biennials of Venice (1986) and S.Paulo (1987 and 1991) and the exhibitions: 10 Contemporâneos, Museu de Serralves, Porto (1992); Perspectives, Centre d'art contemporain, Marne-La-Vallée (1994); Depois de Amanhã, Centro Cultural de Belém, Lisboa (1994); Ecos de la materia, Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz (1996); Tage Der Dunkelheit Und Des Lichts, Kunstmuseum Bonn (1999); EDP.ARTE, Museu de Serralves, Porto (2001).
He has also designed stage sets for theatre as well as having carried out various public works, such as a square for the World Exhibition of Lisbon 1998.
Pedro Calapez is represented in various public and private collections including, for example, the Museu Serralves, Porto; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação Luso Americana, Lisboa; Caixa Geral de Depósitos, Lisboa; Chase Manhattan Bank N.A, New York; Fundació Pilar i Joan Miró, Palma de Mallorca; Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz; Centro Galego de Arte Contemporânea, Santiago de Compostela; Fondación Prosegur, Madrid; Fundación Coca-Cola España, Madrid; Central European Bank, Frankfurt; Centro de Arte Caja Burgos, Burgos; European Investment Bank, Luxembourg and other public and private collections.
He has received, among others, the União Latina prize in 1990, the Prize for Drawing from the Fundació Pilar I Joan Miró in Majorca 1995 and the Prize for Painting from EDP-Art Foundation, Lisbon, 2001.
MAM Mario Mauroner Contemporary Art, Salzburg
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«Algumas das imagens cedidas por cortesia do autor»

segunda-feira, março 31

John Stezaker, Worcester / Reino Unido - arte conceptual contemporânea

Mask series «LX» 2007, collage

Mask series «LXV» 2007, collage

Mask series «III» 1991-92, collage


Mask series «II» 2007, collage

Mask series «Bird Mask II» 2006, collage

Mask series «XXIV» 2006, collage

Mask series «XXV» 2006, collage

Mask series «XLVIII» 2007, collage

Mask series «XXVI» 2006, collage
Mask series «LII» 2007, collage

Mask series «LXIV» 2007, collage

Landscape series «V» 2005, film portrait collage

Landscape series «VIII» 2005, film portrait collage

Marriage series «VII» 2006, film portrait collage

Marriage series «I» 2006, film portrait collage

Marriage series «XV» 2006, collage

Marriage series «XXVIII» 2007, film portrait collage

Marriage series «X» 2006, film portrait collage

Marriage series «VI» 2006, film portrait collage

«Untitled» 2006, collage

Pairs series «VIII» 2007, film portrait collage

Pairs series «III» 2007, film portrait collage

Pairs series «II» 2007, film portrait collage

Nest series «III» 2007, film portrait collage

Third Person series «I» 1988-1990, film portrait collage

Untitled «She VIII» 2005, film portrait collage

The Face series «Angel» 1988-1990, film portrait collage

Untitled «Incision III» 2005, film portrait collage

Eros series «VII» 2007, collage

Untitled «Underworld IV» 1988-1990, film portrait collage
Untitled «Africa I» 2005, collage

«Resurrection-Bratislava» 2006, collage

«Christ's Entry Into Bergen» 1992, collage

«Christ's Entry Into Essex Road» 2006, collage

«Raft» 2006, collage

Bridge series «I» 2007, film portrait collage

Horse series «IV» 2006, collage

Cinema 2 series «II» 2005, collage

Untitled «Shadow 11» 2006, film portrait collage

Cinema 1 series «I» 2005, film portrait collage

«Vanishing Point, Vantage Point series (Insert)» 1979, film portrait collage



John Stezaker nasceu em Worcester no Reino Unido, no ano de 1949. É um artista que ganhou fama internacional pelos seus trabalhos de colagem em fotografia. Foi um dos artistas da arte conceptual britânica da primeira geração, a expor nos anos 60 e princípio dos anos 70. Durante a década de 70, foi pioneiro na arte da fotografia, expondo, através de mostras individuais ou colectivas, no Reino Unido e na Europa, tendo igualmente participado nas bienais de Veneza e de Paris. O seu envolvimento com a fotografia antiga e a técnica da colagem foi altamente influenciado, nos finais dos anos 70, principio dos anos 80, pelo movimento “New Image Art” nascido nos Estados-Unidos.
Na década de 90, este seu envolvimento com a linguagem imagética e o seu compromisso com a “fotografia antiga”, acabaram por servir de inspiração a uma nova geração de jovens artistas britânicos, os “YBAs”, com os quais veio a expor, a partir de meados dos anos 90, em colectivas na Austrália, na América e na Europa: a “Picture Britanica” em Sydney na Austrália; a “Life, Live” em Paris, no Museu de Arte Moderna; na bienal de fotografia em Ljubljana na Eslovénia e na “British Art Show” em Hayward na Califórnia, no ano de 2000.
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John Stezaker é um artista fascinado pelo poder das imagens, que questiona a autoridade das fotografias que encontra em livros, revistas, postais ilustrados e enciclopédias, intervindo directamente no espaço físico que ocupam. Stezaker divide para voltar a unir, inverte ou simplesmente ajusta uma imagem, através de um processo manual, cujo objectivo é o de reconstruir a imagem a partir da sua “desconstrução”, permitindo, assim, a sua participação activa no mundo actual.
Os seus trabalhos de colagem que fazem parte das várias séries já criadas, evocam a presença lúdica e fantástica que sugere o carácter sobrenatural das obras surrealistas. Através de processos de desconstrução e reconstituição, Stezaker oferece uma experiência fragmentada e participada de um mundo gerador de uma realidade estranha e desarticulada.
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No trabalho em série “Marriage”, Stezaker concentra-se no conceito de “retratismo”, tanto do ponto de vista de género artístico histórico como no de identidade pública. Utilizando “spots” publicitários de estrelas de filmes clássicos, o artista separa e “cola” rostos famosos, criando ícones híbridos que dissocia da sua natureza familiar para criar sensações do domínio do sobrenatural. Ao juntar identidade masculina e feminina através da unificação de carácteres, o artista aponta para uma harmonia desarticulada em que a não reconciliação da diferença tanto complementa como desvaloriza o conjunto. Na interdependência das suas imagens, as personalidades (e como nós as idealizamos) tornam-se dispensáveis e vazias, convertendo-se em seres abjectos através das suas imperfeições levadas ao exagero e da luta pelo predomínio visual.
No trabalho em série “Masks”, Stezaker prossegue no seu interesse pela face escondida. Imagens de postais ilustrados encobrem e substituem a fisiognomonia do sujeito, deixando um vestígio de cabelo, pescoço e roupas. Em “Pairs”, o postal ilustrado serve de máscara à cabeça dos casais, para, a partir do ponto em que se encontram ou se tocam, seja produzido um efeito surreal pela imagem sobreposta. Paisagens de cavernas tomam o lugar de expressões faciais fazendo-as combinar com cenários narrativos imaginários. Em “Nest”, é a imagem de uma coruja que constitui o elemento de ocultação que joga com a qualidade estética e psicológica do ninho e em que simbolicamente é criada a ambiguidade de síntese entre as figuras e os elementos “colados”.

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John Stezaker collects postcards, movie portraits, stills and lobby cards with an archivist’s zeal. But the way in which they are re-functioned as art is not at all congruent with such an approach. One of the things that makes Stezaker’s practice so intriguing is the extent to which the works more or less follow Conceptual art orthodoxy up to when he makes his ‘cut’, bringing the two images together, after which all other decisions are intuited. The ‘idea’ of the works is straightforward and consistent, and Stezaker has constructed them in much the same way for more than 20 years: two different images are brought together, each destroyed in some important way in order to birth a new one. Yet the logic, or meaning, of the new images remains mysterious.
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The cards are all placed squarely on the photographs, never at an angle, sometimes inverted and sometimes overlapping the edge of the photograph. They are normally positioned so that the face of the actor or actors is obscured. In one, Pair VIII (2007), a couple are embracing on a bed. The man, his face not obscured, moustachioed, and with a cigarette held limply in the corner of his mouth, stares longingly into the eyes of some forgotten starlet. The only part of her face visible is her chin and heavily glossed lips. The rest is obscured by a postcard of a painted image of a stream running through a dense wood. The man’s eyes are therefore diverted from the woman’s face and instead follow the line of the stream up through the trees.
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In Mask XLVIII (2007), an actress poses, her hair and chin framing a photographic postcard image of a small waterfall. When seen together, the cascading water from the postcard resembles hair and the anonymous sitter’s hair looks like shimmering water. The effect might be called ‘uncanny’, but perhaps this is to rely too heavily on existing discourses historically called upon to critically engage with the collage technique.
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Where these works depart from the biting satire found in Dadaist collage or in the Surrealists’ playful plumbing of the ‘unconscious’ is the point at which the strategies of Minimalist and Conceptual art are evoked. This puts one in mind of the theoretical dingdong about the relationship between the historical and the neo avant-gardes, under the terms of Peter Bürger’s famous distinction, reigniting (intentionally or not) the debate about the validity of an ‘aesthetic’ avant-garde. Serious critical work on Stezaker is sadly thin on the ground, but hopefully this will be prompted by recent commercial and curatorial interest.
Dan Kidner,
Frieze Magazine, December 2007, (excerpt)
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Nota: Os trabalhos deste artista estão em exposição em Portugal na Ellipse Foundation Art Centre em Cascais e em Miami nos Estados-Unidos, na Contemporary Arts Foundation da Rubell Family.